“O pé chato” na vida do corredor 

“O pé chato” na vida do corredor 

O ano era 2004, faz tempo.  Essa história de corrida de rua começava a entrar na moda. Alguns grupos de corrida se firmando pelo Brasil afora. Então, um grupo de amigos e professores da Academia Fitness Center, de Curitiba, me convidaram a me juntar a eles e treinar para uma tal corrida de 10 kms do Sesc Água Verde – bairro da capital paranaense. “Dez quilômetros!?!” Disse minha mãe, assustada com a distância. “Você não vai aguentar, você tem pé chato!”, decretou. Bom, aqui já vale a explicação: o tal “pé chato”, profanado por ela, é o que os ortopedistas chamam de pé plano. Ou seja: meus pés não têm aquele arco longitudinal que dá sustentação na hora da pisada.  Usei bota ortopédica, muito comum na década de 1980 e que mais tarde provou-se não adiantar nada. Sendo assim, correr para mim era uma dificuldade extrema. As dores nos pés subiam para os joelhos e acabavam com as costas.

Foi aí que resolvi estudar o assunto e procurar melhorias para conseguir praticar esportes com menos dores e impacto naquela região da planta dos pés. Descobri que sapato para mim não funcionava bem e que tinha de me adaptar à situação. Até que chegou aquele dia de 2004. Os amigos me chamando para tal corrida, para o tal desafio. Dia da prova, lembrei dos pés chatos, que ouvi, um dia. Que não poderia marchar, enfim, correr. Mas não ia desistir. Naquela época as fabricantes de tênis de corrida já desenvolviam calçados para pronadores (meu caso), neutros e supinados (pisadas para fora) e comecei a procurar algum modelo que se adaptasse ao meu problema.

Com o elevado valor (bem mais caros que hoje), não pude adquirir um par de tênis adequado para pronador naquela ocasião. O resultado é que parti para a corrida de estreia com um tênis comum, sem amortecimentos e nada preparado. Terminei a prova com dores nos joelhos e pés. Digo que foi um erro na época, hoje considero loucura mesmo porque na sequência fiz a Maratona de Curitiba, do mesmo ano, com o mesmo calçado. Já aviso: não façam isso! Procurem sempre calçados adequados. No caso de pronadores como eu, palmilhas podem ser indicadas por ortopedistas. Elas ajudam muito. Uso palmilhas para correr, caminhar, trabalhar há seis anos. E não tive mais lesão desde então. E se minha mãe achava loucura fazer os 10 kms, imagine completar, pelo menos, duas maratonas (42km195m) por ano. O fato é, que embora ela achasse loucura, adivinhe quem estava me esperando na linha de chegada nas maiorias das maratonas que fiz até hoje?

 

Angelo Binder é jornalista, diretor da Comando Comunicação, assessor de imprensa da Global Vita e maratonista

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