O desafio da Graciosa nove anos depois

O desafio da Graciosa nove anos depois

Carta aos amigos corredores:

Em 2009, sem nenhum tipo de preparo específico, encarei a Corrida da Graciosa. Além de ter sido devorado pelos “borrachudos”, bastante presente na Serra do Mar, na estrada mais antiga que dá acesso ao litoral do Paraná, ainda vi de perto o que representa dar tudo errado, se o treino para uma prova difícil é avacalhado, jogado às traças. Não dá para brincar!! Terminei cambaleante a prova, aos flancos, por assim dizer, no osso. Fora os 20 kms mais sofridos da minha carreira suada de corredor amador. Latejavam meus joelhos, a lombar sofrida parecia pesar uma tonelada. Pensava: “Se arrependimento matasse!”. Fiquei quase dois anos sem correr, com lesão do trato iliotibial. É uma dor que começa no quadril e acompanha pela lateral da perna, passa pelo lado externo do joelho e termina lá no pé. Dá vontade de nunca mais correr na vida! Não é uma lesão grave, mas pode se tornar algo crônico, como aconteceu comigo.

Mas a prova da Graciosa é tradicional, esse ano ganhará até uma maratona, no dia 20 de outubro de 2018. É uma das provas mais lindas que já fiz, sem dúvida. Por tudo isso, é hora de voltar. Desta feita bem treinado, preparado. Estou nove anos mais velho (experiente). Hoje sou um corredor de meia idade (será minha primeira prova com 40 anos). Hoje, acumulo duas hérnias na cervical, mas faço fisioterapia e tudo aquilo para lidar bem com o problema. O médico disse que não preciso parar, apenas fortalecer – sigo à risca.  As hérnias que tenho são provenientes a fatores genéticos, má postura, mochila escolar carregada num ombro só por décadas e ainda pelo uso excessivo de computador e celular. Trabalho com essas ferramentas, mas, confesso: abuso! Não pode. Enfim, a culpa das hérnias não é o esporte, nem a corrida.  Para finalizar minha carta, espero que meu psicológico não me faça lembrar das dores que senti em 2009. No mais, me garanto. Abraço a todos e gente se vê por na subida da serra.

 

Coluna: Angelo Binder é jornalista, diretor da Comando Comunicação e corredor há 14 anos

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